Você sabe fazer um mortal, ou giro de cabeça, ou isso ou aquilo???
Quem é capoeirista com certeza já teve que responder uma pergunta desse tipo, e isso sempre me deixa indignado, porque as pessoas ainda pensam que a capoeira se resume a saltos e acrobacias... Mas por que isso?? Eu respondo... por causa de nós mesmos, capoeiristas, que muitas vezes privilegiamos e damos ênfase à parte estética da capoeira em detrimento de outros aspectos.
Essa visão tecnicista, baseada no rendimento e nos aspectos físicos, restringe as possibilidades de abordagem da capoeira e, além disso, inibe a livre expressão dos movimentos, padronizando-os pela busca de uma “perfeição”.
Cada pessoa tem uma forma única de se expressar, e na capoeira isso se dá através dos movimentos, portanto é necessário que os professores orientem seus alunos para que se desenvolvam cada vez mais, mas sem perderem sua identidade.
A capoeira deve ser trabalhada de acordo com as “dimensões dos conteúdos” propostos pela pedagogia. São 3 essas dimensões: Procedimental, Atitudinal e Conceitual. O importante dessas dimensões é que todas devem ser exploradas de forma equilibrada, sem priorizar essa ou aquela.
A dimensão procedimental está relacionada com o “saber fazer”, é a parte técnica e prática. É a essa dimensão que me referi no início do texto, não quero dizer aqui que esta não seja importante, porém, é necessário trabalhar também as outras características da capoeira com a mesma intensidade. Pois aquele que só aprendeu o “saber fazer” somente isso poderá ensinar.
Quanto à dimensão atitudinal, esta é ligada ao “como fazer” e se refere a valores e atitudes que devem ser estimulados e incentivados no decorrer do ensino do conteúdo, no caso a capoeira. Por exemplo, ensinar os alunos o respeito mútuo, igualdade racial, companheirismo, trabalho em equipe, todos esses valores contextualizado no mundo da capoeira.
Por fim, a dimensão conceitual se relaciona com o “por que fazer”, é uma dimensão reflexiva e como o próprio nome sugere, trata do conceito de determinado conteúdo. No caso da capoeira, trabalhando sua história, suas transformações, os rituais, ou seja, os motivos que a revelam como tal.
Portanto, focar na parte procedimental é restringir a capoeira, é desvalorizar toda sua riqueza cultural e seu passado de resistência e luta.
... precisamos estar atentos a que, para além das técnicas, regras e táticas ( dos esportes, jogos, etc.), ensinemos valores, normas, atitudes, conceitos que impregnam o corpo - pela vivência da exclusão, ludicidade, sucesso, fracasso, entre outros." ( FARIA, 2004, p. 138)

Ótimo Lucas sou acadêmico de pedagogia e luto pra introduzir essas dimensões quando nem professores buscam esse saber, ás vezes os própios mestres não se preocupam em repassar certos conhecimentos como estes se preocupando somente com movimentos e acrobacias, capoeira tem fundamento, histórias e porques que devem ser contados para um maior interesse e maior valorização da mesma.
ResponderExcluirAxé !
esse site num ta com nada eu pesquisei uma coisa e apareceu outra
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