O Blog "Por Dentro da Roda" foi criado com o objetivo de proporcionar informações a respeito da capoeira e estimular o intercâmbio de idéias entre as pessoas interessadas nessa arte genuinamente brasileira.
quinta-feira, 25 de novembro de 2010
Mestre João Pequeno
Um dos valores mais nobres da capoeira é o respeito pelos mais velhos, por sua história e conhecimento.
Falar de Mestre João Pequeno é falar da própria capoeira, apesar de não conhecê-lo pessoamente, sou um grande admirador desse Mestre.
Certa vez ele estava em minha cidade e um mestre de capoeira, recém formado, disse para ele que mesmo sendo mestre, somente agora estava começando a entender o que realmente era a capoeira e João Grande disse mais ou menos assim: "É.... eu que já tenho uns 70 anos de capoeira a cada dia qua passa vejo que o que sei é praticamente nada, sempre aprendo alguma coisa nova ..."
Biografia:
Em 27 de dezembro 1917 nasceu em Araci no interior da Bahia João Pereira do Santos, filho de Maria Clemença de Jesus, ceramista e descendente de índio e de Maximiliano Pereira dos Santos cuja profissão era vaqueiro na Fazenda Vargem do Canto na Região de Queimadas.
Aos quinze anos (em 1933) fugiu da seca a pé, indo até Alagoinhas seguindo depois para Mata de São João onde permaneceu dez anos e trabalhou na plantação de cana de açúcar como chamador de boi, então conheceu Juvêncio na Fazenda são Pedro, que era ferreiro e capoeirista, foi aí que conheceu a capoeira.
Aos 25 anos, mudou-se para Salvador, onde trabalhou como condutor (cobrador) de bondes e na construção civil como servente de pedreiro, pedreiro, chegando a ser mestre de obras, e lá inscreveu-se no Centro Esportivo de Capoeira Angola, que era uma congregação de capoeiristas coordenada pelo Mestre Pastinha.
No final da década de sessenta quando Pastinha não podia mais ensinar passou a capoeira para João pequeno dizendo: “João, você toma conta disto, porque eu vou morrer, mas morro somente o corpo, e em espírito eu vivo, enquanto houver Capoeira o meu nome não desaparecerá”
No final da década de sessenta quando Pastinha não podia mais ensinar passou a capoeira para João pequeno dizendo: “João, você toma conta disto, porque eu vou morrer, mas morro somente o corpo, e em espírito eu vivo, enquanto houver Capoeira o meu nome não desaparecerá”
João Pequeno vê a capoeira como um processo de desenvolvimento do indivíduo, uma luta criada pelo fraco para enfrentar o forte, mas também uma dança, cuja qual ninguém deve machucar o par com quem dança, defende a idéia que o bom capoeirista sabe parar o pé para não machucar o adversário.
Além de ser de impressionar a todos que tem a oportunidade de vê-lo jogar com a sua excelentíssima capoeira e mandigagem, João Pequeno destaca-se como educador na capoeira, uma autoridade maior na capoeiragem de seu tempo, um referencial de luta e de vida em defesa da nobre arte afrodescendente.
O mestre João Pequeno, orgulha-se dos méritos alcançados com a capoeira, isto fica claro em uma de suas falas, que sempre repete oportunamente, “...meu pai me chamava de doutor, mas não me botou na escola, mas através da capoeira sou doutor.”
Em 1970, Mestre Pastinha assim se manifestou sobre ele e seu companheiro João Grande:
"Eles serão os grandes capoeiras do futuro e para isso trabalhei e lutei com eles e por eles. Serão mestres mesmo, não professores de improviso, como existem por aí e que só servem para destruir nossa tradição que é tão bela. A esses rapazes ensinei tudo o que sei, até mesmo o pulo do gato".
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