No dia 05 de maio de 2011 a capoeira ganhou um novo Doutor, Doutor Mestre Camisa, homenageado pela Universidade Federal de Uberlândia (UFU) com o título de Doutor Honoris Causa, um reconhecimento por seu importante trabalho como difusor da cultura brasileira pelo mundo.
Essa Universidade, que em 2003 outorgara o mesmo título a outro grande mestre da capoeira, Mestre João Pequeno, exerce assim, “seu papel em preservar o Patrimônio Imaterial da Cultura Brasileira, que é a capoeira”, conforme explica Guimes Rodrigues Filho, professor do Instituto de Química da UFU e coordenador do Núcleo de Estudos Afro Brasileiros, que esteve à frente do processo de reconhecimento desses dois Mestres.
Além disso, ao agraciar um mestre da Capoeira Angola, Mestre João Pequeno, e um mestre da Capoeira Regional, Mestre Camisa, essa instituição nos deixa um recado: A capoeira é uma só. Quando bem trabalhada, com responsabilidade e ética, seja ela Angola ou Regional, é uma manifestação cultural brasileira, e deve ser preservada e valorizada.
Acompanhei toda a cerimônia de entrega do título à Mestre Camisa, o qual me surpreendeu com seu conhecimento sobre a capoeira. Em seu discurso que, faço questão de ressaltar, não foi a leitura de um texto já formulado, como é de praxi, mas expondo suas idéias e pontos de vista, improvisando e se virando, como capoeira que é, Mestre Camisa ressaltou a capoeira como uma Prática Transformadora e, como ele mesmo frisou, “a capoeira é luta, é dança, é jogo, é arte..... mas acima de tudo, capoeira é Educação e deve estar nas escolas”.
Outro fato interessante foi quando Mestre Camisa falava a respeito do preconceito que as pessoas têm sobre essa arte, que muitos pensam que capoeira é apenas movimentações, saltos, rodas; enfim, muitos desconhecem as várias possibilidades de abordagem que a capoeira oferece, como social, ambiental, educacional, afetiva; e querem falar sobre essa arte e, novamente parafraseando-o, “Se você não conhece alguma coisa, não fale sobre essa coisa sem antes procurar entendê-la”.
O preconceito atual não é o mesmo de antigamente, quando o capoeirista era visto como um vagabundo e marginal, penso até que a imagem do capoeira hoje em dia é uma imagem boa (que pode ser melhorada). O preconceito à que me refiro se dá pelo não reconhecimento da riqueza cultural que a capoeira traz consigo e de sua importância na formação de cidadãos.
O título de Doutor Honoris Causa é um passo muito importante, mas cabe a cada um o dever de se engajar para que, juntos, possamos dar um “rabo de arraia intelectual” nesse pré-conceito que ainda existe, pois hoje, está sobrando bíceps e faltando idéias na capoeira.
Aqui em Uberlândia, nos dois dias que pude acompanhar Mestre Camisa, dia 05 na UFU e 06 na Câmara Municipal da cidade, quando recebeu o título de Cidadão Uberlandense, durante os debates todos os presentes jogaram muita capoeira, mas não houve nem sequer uma única roda.

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